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Por que deveria introduzir-se a Comunhão na mão
em nossas igrejas quando isto é evidentemente prejudicial, quando certamente
não aumenta nossa reverência, e quando se expõe a Eucaristia aos mais terríveis
abusos diabólicos? Realmente não existem argumentos sérios para a Comunhão na
mão. Por outro lado, existem inúmeros argumentos gravemente sérios contra isso.
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Não há dúvida que a Comunhão na mão é uma expressão da
tendência de dessacralização da Igreja em geral, e especificamente de
irreverência ao aproximar-se da Eucaristia. O mistério inefável da presença
corporal de Cristo na hóstia consagrada pede uma atitude profundamente
reverente (tomar o Corpo de Cristo em nossas mãos não consagradas – como se
fosse um simples pedaço de pão – é algo que em si é profundamente irreverente e
prejudicial para nossa fé). Negociar este insondável mistério é como se
estivéssemos tratando simplesmente – e nada mais – de um outro pedaço de pão,
algo que fazemos naturalmente todos os dias com um simples pão, e faz com que
seja mais difícil o ato de fé na verdadeira presença corporal de Cristo. Dito
comportamento para com a hóstia consagrada corrói lentamente nossa fé na
presença corporal e alimenta a ideia de que é unicamente um símbolo de Cristo.
Dizer que o tomar o Pão em nossas mãos aumenta o sentido da realidade do pão é
um argumento absurdo. A realidade do pão não é o que importa – isso também é
visível para qualquer ateu. O que deve ser enfatizado é o fato de que a hóstia
é verdadeiramente o Corpo de Cristo.
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Não são efetivamente válidos os argumentos
sobre a Comunhão na mão baseados no fato de que encontramos esta prática entre
os primeiros cristãos. Os defensores dessa ideia ignoram os perigos do
inadequado restabelecimento desta prática nos dias de hoje. O Papa Pio XII
falou em termos muito claros e inequívocos contra a ideia de que se pode voltar
a introduzir hoje em dia os costumes da época das catacumbas. Certamente,
deveríamos tratar de renovar nas almas dos católicos de hoje o espírito, o
fervor e a devoção heroica que encontramos na fé dos primeiros cristãos e nas
fileiras dos inúmeros mártires. Porém, simplesmente adotar seus costumes é,
novamente, algo distinto; os costumes podem hoje em dia assumir uma função
completamente nova e não podemos, nem devemos simplesmente tratar de
reintroduzi-los.
Na época das catacumbas, não estavam presentes os
ameaçadores perigos da dessacralização e da irreverência. O contraste entre o
saeculum (secular) e a Santa Igreja estava constantemente presente nas mentes
dos cristãos. Assim, um costume que naquele tempo não estava em perigo pode
constituir um grave perigo em nossos dias.
Levemos em conta como São Francisco considerou a
extraordinária dignidade do sacerdote, que consiste exatamente no fato de que
lhe é permitido tocar o Corpo de Cristo com suas mãos consagradas. Disse São
Francisco: “Se eu me encontrasse ao mesmo tempo com um santo do céu e um pobre
sacerdote, primeiro mostraria meu respeito ao sacerdote e rapidamente beijaria
suas mãos, e logo diria: ‘Espera, São Lourenço [de Huesca, o Diácono], porque
as mãos deste homem tocam a Palavra da Vida e são superiores a tudo o que é
humano’”.
Alguém poderia questionar: “Mas São Tarcísio não distribuiu
a comunhão mesmo não sendo sacerdote?”. Ora, em uma emergência é permitido que
um leigo distribua a Comunhão aos demais. Mas esta exceção para os casos de
emergência não implica uma falta de respeito ao santo Corpo de Cristo. É um
privilégio que está justificado pela emergência – que deve ser aceito com o
coração trêmulo (e deveria permanecer como privilégio, reservado unicamente
para emergências).
Porém, existe uma grande diferença entre este caso de tocar
a hóstia consagrada com nossas mãos não consagradas, e aquele de tomar a
Comunhão na mão como algo comumente – em todas as ocasiões. O permitir tocar a
hóstia consagrada com mãos não consagradas de nenhuma maneira se apresenta aos
fiéis como um privilégio inspirador. Converte-se na forma normal de receber a
Comunhão; e isto alimenta uma atitude irreverente e, portanto, corrói a fé na
real presença corporal de Cristo.
O leigo, a quem se outorga o grande privilégio por razões
especiais, tem que tocar a hóstia, evidentemente. Mas não existe razão alguma
para receber a Comunhão na mão: apenas um espírito íntimo de uma familiaridade
mesquinha com Nosso Senhor.
É incompreensível o motivo pelo qual alguns cristãos
insistem sobre uma maneira de receber a Comunhão que abre a porta a toda classe
de abusos acidentais e até mesmo intencionais.
Primeiro, [ao receber a Comunhão na mão] existe uma
possibilidade muito maior de que algumas partículas da hóstia consagrada caiam
no chão. No passado, o sacerdote observava com grande cuidado se algumas
partículas da hóstia haviam caído, e se isso acontecesse, ele imediatamente as pegava
reverentemente e as consumia. E agora, sem razão aparente, muitos desejam expor
a hóstia consagrada a este perigo em um grau muito maior que antes – estamos na
época em que a hóstia está sendo tratada de um modo cada vez mais parecido com
o qual se trata um pão.
Segundo – e este é um problema incomparavelmente pior –,
existe o perigo de que um comungante, em vez de pôr a hóstia consagrada em sua
boca, a coloque em seu bolso, ou de outra maneira qualquer a esconda, e não a
consuma. Isto, infelizmente, tem acontecido nestes dias de satanismo revivido.
Sabe-se que as hóstias consagradas estão sendo vendidas para usos blasfemos. Em
Londres, conta-se que o preço é de 30 libras por uma, o que nos recorda as 30
moedas de prata pelas quais Judas vendeu o Corpo de Nosso Senhor.
É inacreditável que existam aqueles que preferem expor a
hóstia consagrada, que é verdadeiramente o Corpo de Cristo, o Deus-homem, aos
mais terríveis e possíveis abusos ao invés de aplicar o cuidado mais
escrupuloso para protegê-la. Temos ouvido falar hoje em dia da existência do
demônio, que está vagando pelo mundo na busca de almas para devorar? Não é
notório o seu trabalho na Igreja e no mundo? O que nos credencia a afirmar que
não haverá mais abusos à hóstia consagrada?
Quanto maior for nosso respeito e nosso amor para com a
hóstia consagrada; quanto mais enérgica for nossa certeza na santidade inefável
da Eucaristia, maior será nosso horror quando ela for profanada, e maior será
nossa avidez para protegê-la de todos os possíveis abusos blasfemos.
Por que deveria introduzir-se a Comunhão na mão em nossas
igrejas quando isto é evidentemente prejudicial, quando certamente não aumenta
nossa reverência, e quando se expõe a Eucaristia aos mais terríveis abusos
diabólicos? Realmente não existem argumentos sérios para a Comunhão na mão. Por
outro lado, existem inúmeros argumentos gravemente sérios contra isso.