segunda-feira, 14 de maio de 2012

As armas contra o demônio


Ao nos depararmos com uma montanha, tendemos primeiro a admirá-la. Em seguida arquitetamos um modo de escalar suas encostas e visitar seu cume. Por fim, tendo-a como pedestal, contemplamos os vastos cenários que a rodeiam, símbolos de valores transcendentais.
 O nosso peregrinar pela Terra pode ser comparado a um rio que nasce numa montanha dessas, percorre vales, perde-se em meio a uma vegetação que lhe é hostil, se precipita despenhadeiro abaixo, reaparece risonho em prado verdejante, atravessa ainda região de espinhos e abrolhos antes de chegar vitorioso ao mar. Se pudessem, suas águas exclamariam: “vitória”!

 A vida do homem neste Vale de Lágrimas é cheia de riscos, exigindo dele espírito de combatividade e de luta. Maculado pelo pecado original, o ser humano tem tendências quase inexplicáveis que o impedem de avançar por suas próprias forças rumo ao cume da montanha.  Os Mandamentos divinos se lhe apresentam de árdua observância, devido às tentações e à debilidade de sua natureza decaída.
Se considerarmos que uma terra ressequida termina cedendo às constantes chuvas e tornando-se capaz de fazer germinar a semente lançada pelo homem, não sem razão devemos figurar Deus como pai a velar pelos seus filhos.  Ao nos criar à sua imagem e semelhança, Ele colocou sobre nós as melhores de suas complacências.

A graça de Deus que nunca nos falta pode o que a natureza não poderia. Tentações nos sobrevêm, mas ninguém é tentado acima de suas próprias forças. Nos momentos difíceis, devemos sempre recorrer a Deus e fazermos uso dos tesouros que a Igreja coloca à disposição dos fiéis, através da mediação de Maria Santíssima, Mãe de Deus e nossa mãe.
O demônio, ao perceber que a alma regenerada na pia batismal se fortalece com as virtudes, não a deixa em paz. Contudo, não podemos nos turbar com as provas, pois Deus nos deu todas as armas para vencê-las. Como o maligno não fica ocioso e ronda como um leão faminto querendo nos devorar, Deus nos cumula de graças. Sua ação benfazeja nos mune para o combate.
 Devemos – com o coração humilde – nos apoiar no fortíssimo braço de Deus, e, assim amparados, travarmos o embate com aquele que vagueia pelo mundo para perder as almas. E Deus nos dará a vitória, pois tal luta está ancorada na oração constante, na vigilância, no jejum e na abstinência.  
            Jesus quis ficar sozinho no deserto e ser tentado para nos ensinar a combater o inimigo. A Tradição afirma que naquela região deserta entre Jericó e Jerusalém – onde os ladrões perambulavam para roubar, saquear e matar – Adão foi derrotado pelo demônio. Mas que foi também ali que Jesus Cristo, o novo Adão, quis ir para vencer o espírito das trevas e consumar depois a Redenção com a morte de Cruz.




 *Pe. David Francisquini

sábado, 5 de maio de 2012

A Comunhão na Mão


Por que deveria introduzir-se a Comunhão na mão em nossas igrejas quando isto é evidentemente prejudicial, quando certamente não aumenta nossa reverência, e quando se expõe a Eucaristia aos mais terríveis abusos diabólicos? Realmente não existem argumentos sérios para a Comunhão na mão. Por outro lado, existem inúmeros argumentos gravemente sérios contra isso.

Não há dúvida que a Comunhão na mão é uma expressão da tendência de dessacralização da Igreja em geral, e especificamente de irreverência ao aproximar-se da Eucaristia. O mistério inefável da presença corporal de Cristo na hóstia consagrada pede uma atitude profundamente reverente (tomar o Corpo de Cristo em nossas mãos não consagradas – como se fosse um simples pedaço de pão – é algo que em si é profundamente irreverente e prejudicial para nossa fé). Negociar este insondável mistério é como se estivéssemos tratando simplesmente – e nada mais – de um outro pedaço de pão, algo que fazemos naturalmente todos os dias com um simples pão, e faz com que seja mais difícil o ato de fé na verdadeira presença corporal de Cristo. Dito comportamento para com a hóstia consagrada corrói lentamente nossa fé na presença corporal e alimenta a ideia de que é unicamente um símbolo de Cristo. Dizer que o tomar o Pão em nossas mãos aumenta o sentido da realidade do pão é um argumento absurdo. A realidade do pão não é o que importa – isso também é visível para qualquer ateu. O que deve ser enfatizado é o fato de que a hóstia é verdadeiramente o Corpo de Cristo.
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Não são efetivamente válidos os argumentos sobre a Comunhão na mão baseados no fato de que encontramos esta prática entre os primeiros cristãos. Os defensores dessa ideia ignoram os perigos do inadequado restabelecimento desta prática nos dias de hoje. O Papa Pio XII falou em termos muito claros e inequívocos contra a ideia de que se pode voltar a introduzir hoje em dia os costumes da época das catacumbas. Certamente, deveríamos tratar de renovar nas almas dos católicos de hoje o espírito, o fervor e a devoção heroica que encontramos na fé dos primeiros cristãos e nas fileiras dos inúmeros mártires. Porém, simplesmente adotar seus costumes é, novamente, algo distinto; os costumes podem hoje em dia assumir uma função completamente nova e não podemos, nem devemos simplesmente tratar de reintroduzi-los.

Na época das catacumbas, não estavam presentes os ameaçadores perigos da dessacralização e da irreverência. O contraste entre o saeculum (secular) e a Santa Igreja estava constantemente presente nas mentes dos cristãos. Assim, um costume que naquele tempo não estava em perigo pode constituir um grave perigo em nossos dias.

Levemos em conta como São Francisco considerou a extraordinária dignidade do sacerdote, que consiste exatamente no fato de que lhe é permitido tocar o Corpo de Cristo com suas mãos consagradas. Disse São Francisco: “Se eu me encontrasse ao mesmo tempo com um santo do céu e um pobre sacerdote, primeiro mostraria meu respeito ao sacerdote e rapidamente beijaria suas mãos, e logo diria: ‘Espera, São Lourenço [de Huesca, o Diácono], porque as mãos deste homem tocam a Palavra da Vida e são superiores a tudo o que é humano’”.

Alguém poderia questionar: “Mas São Tarcísio não distribuiu a comunhão mesmo não sendo sacerdote?”. Ora, em uma emergência é permitido que um leigo distribua a Comunhão aos demais. Mas esta exceção para os casos de emergência não implica uma falta de respeito ao santo Corpo de Cristo. É um privilégio que está justificado pela emergência – que deve ser aceito com o coração trêmulo (e deveria permanecer como privilégio, reservado unicamente para emergências).

Porém, existe uma grande diferença entre este caso de tocar a hóstia consagrada com nossas mãos não consagradas, e aquele de tomar a Comunhão na mão como algo comumente – em todas as ocasiões. O permitir tocar a hóstia consagrada com mãos não consagradas de nenhuma maneira se apresenta aos fiéis como um privilégio inspirador. Converte-se na forma normal de receber a Comunhão; e isto alimenta uma atitude irreverente e, portanto, corrói a fé na real presença corporal de Cristo.

O leigo, a quem se outorga o grande privilégio por razões especiais, tem que tocar a hóstia, evidentemente. Mas não existe razão alguma para receber a Comunhão na mão: apenas um espírito íntimo de uma familiaridade mesquinha com Nosso Senhor.

É incompreensível o motivo pelo qual alguns cristãos insistem sobre uma maneira de receber a Comunhão que abre a porta a toda classe de abusos acidentais e até mesmo intencionais.

Primeiro, [ao receber a Comunhão na mão] existe uma possibilidade muito maior de que algumas partículas da hóstia consagrada caiam no chão. No passado, o sacerdote observava com grande cuidado se algumas partículas da hóstia haviam caído, e se isso acontecesse, ele imediatamente as pegava reverentemente e as consumia. E agora, sem razão aparente, muitos desejam expor a hóstia consagrada a este perigo em um grau muito maior que antes – estamos na época em que a hóstia está sendo tratada de um modo cada vez mais parecido com o qual se trata um pão.

Segundo – e este é um problema incomparavelmente pior –, existe o perigo de que um comungante, em vez de pôr a hóstia consagrada em sua boca, a coloque em seu bolso, ou de outra maneira qualquer a esconda, e não a consuma. Isto, infelizmente, tem acontecido nestes dias de satanismo revivido. Sabe-se que as hóstias consagradas estão sendo vendidas para usos blasfemos. Em Londres, conta-se que o preço é de 30 libras por uma, o que nos recorda as 30 moedas de prata pelas quais Judas vendeu o Corpo de Nosso Senhor.

É inacreditável que existam aqueles que preferem expor a hóstia consagrada, que é verdadeiramente o Corpo de Cristo, o Deus-homem, aos mais terríveis e possíveis abusos ao invés de aplicar o cuidado mais escrupuloso para protegê-la. Temos ouvido falar hoje em dia da existência do demônio, que está vagando pelo mundo na busca de almas para devorar? Não é notório o seu trabalho na Igreja e no mundo? O que nos credencia a afirmar que não haverá mais abusos à hóstia consagrada?

Quanto maior for nosso respeito e nosso amor para com a hóstia consagrada; quanto mais enérgica for nossa certeza na santidade inefável da Eucaristia, maior será nosso horror quando ela for profanada, e maior será nossa avidez para protegê-la de todos os possíveis abusos blasfemos.

Por que deveria introduzir-se a Comunhão na mão em nossas igrejas quando isto é evidentemente prejudicial, quando certamente não aumenta nossa reverência, e quando se expõe a Eucaristia aos mais terríveis abusos diabólicos? Realmente não existem argumentos sérios para a Comunhão na mão. Por outro lado, existem inúmeros argumentos gravemente sérios contra isso.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

O Uso do véu na Santa Missa



Quando uma mulher cobre sua cabeça na Igreja Católica, simboliza sua dignidade e humildade diante de Deus, não dos homens. A coberta de cabeça da mulher na igreja é um surpreendente lembrete de modéstia, algo antigo, mas perdido na sociedade atual. 
Modéstia e Pureza caminham de mãos dadas.
O véu jamais foi abolido na sagrada liturgia. Mas, havendo sido suprimida a sua obrigatoriedade canônica, acabou por cair em desuso.
O véu simbolicamente motiva a mulher a inclinar a cabeça em oração, abaixar o olhar diante da grandeza e misteriosa beleza e poder de Deus no Santíssimo Sacramento.
O véu que a mulher usa lhe confere um belo senso de dignidade.
As mulheres que amam Jesus devem perceber que a imitação de sua mãe pelo uso do véu e por outras virtudes é um pequeno sacrifício a ser feito a fim de crescer na compreensão espiritual da pureza, da humildade e do amor.

O véu por séculos simbolizou a castidade, a modéstia e a santidade da mulher cristã. A Igreja sabendo disso, instava por todos os séculos com suas filhas que o usassem, simbolizando pureza, santidade, humildade, qualidades que vemos em Nossa Senhora. Por que então não adotarmos uma coisa tão simples, mas, tão cheia de significados?

O costume de a mulher cobrir a sua cabeça não é sem signficado e antigo, mas tem um significado teológico e importante para a era moderna. Pelo uso do véu, as mulheres reconhecem sua submissão a Cristo, seu esposo, o sacrificio de sua glória, e adoração e humildade diante de Deus. Embora não seja pecado permanecer sem cobrir a cabeça, o véu tem um maravilhoso significado que é um louvável e importante modo de dar glória a Deus.
 Além disso, o véu representa a posição da mulher na hierarquia da ordem de Deus. O Homem é o protetor da mulher, enquanto a mulher é a protegida. Por causa de suas respectivas identidades, homens e mulheres mostram reverência ao seu Criador de diferentes modos. Para o homem, descobrir sua cabeça é um sinal de respeito e submissão a seu superior. Isso é exemplificado belamente na Missa Tradicional quando os padres entram vestindo o barrete e descobrem sua cabeça antes de iniciar o culto a Deus. Este respeito, pela hierarquia, é mostrado de forma diferente pelas mulheres. Ao invés das mulheres descobrirem sua cabeça, elas cobrem sua cabeça mostrando respeito e submissão a autoridade. Assim, usar o véu na Santa Missa representa a submissão da mulher a Deus. Ela reconhece a regra da criação de Deus.



Adoro Te Devote

Com devoção Te adoro, ó Divindade oculta, em verdade escondida sob essas figuras (o pão e o vinho). A Ti meu coração todo se confia, porque ao contemplar-Te cai e desfalece. A vista, o gosto e o tato em Ti já nada alcançam, mas só de ouvido eu creio e tenho fé, pois creio no que disse o Filho do Deus vivo; e nada há mais verdadeiro que a Palavra da Verdade. Na Cruz somente estava oculta a Divindade, mas aqui também o está a humanidade; contudo, creio e confesso uma e outra, e peço o que pedia o ladrão arrependido. Como Tomé, não vejo as chagas, contudo Te confesso por meu Deus. Dá-me ter sempre crença em Ti, maior esperança e maior amor! Ó memorial da morte do Senhor! Pão vivo que ao homem dás a vida. Que a minha alma sempre de Ti viva, doce lhe seja sempre o Teu sabor. Pio Pelicano, bom Senhor Jesus, impuro sou, purifica-me em Teu sangue, de que uma gota só pode limpar o mundo todo de qualquer pecado. Jesus, a quem oculto agora vejo, dá-me, peço-Te, o que tanto aspiro, e é, de face já sem véus, na glória contemplar-Te eternamente. Amém.


terça-feira, 24 de abril de 2012

FICAR É PECADO? POR QUÊ?


Primeiramente vamos entender o que é “ficar”. Ficar é uma gíria brasileira que designa uma relação afetiva sem compromisso, que normalmente tem natureza efêmera. É um namoro “relâmpago”; diferencia-se de namorar porque o namoro envolve um compromisso (que comumente envolve fidelidade) e ao menos teoricamente, tem como característica a durabilidade (pelo menos de meses), enquanto que o ficar (ou a ficada) acontece por minutos ou horas. De modo que o garoto e a garota possam ficar com quem quiser depois, e não precisa sentir ciúmes se vê-la(o) com outro(a), nem ligar no dia seguinte. Normalmente é só um beijo.

Ficar é pecado por  vários motivos: em primeiro lugar, eu começo a “coisificar as pessoas”, elas não passam de objeto para eu satisfazer minhas vontades, ou seja, tô a fim de beijar alguém, mais não quero ter compromisso, não quero saber se tem problemas, se a pessoa está passando por alguma dificuldade, o importante é o quanto se beija bem.

É como uma laranja que chupo e jogo o bagaço fora, como se eu pudesse separar a boca do resto da pessoa, e esquecemos que somos seres compostos de corpo e alma, é um conjunto inseparável criado à imagem e semelhança de Deus.

E em segundo lugar, o “ficar” é um grande propagador de doenças, atualmente nossa sociedade incorporou o hábito de “ficar”, no qual se podem beijar várias pessoas, geralmente desconhecidas, em uma mesma balada. Porém, o hábito do beijo na boca, visto por muitos como algo inofensivo, trás o perigo da transmissão de várias doenças.

E tem também este terceiro ponto, os beijos e abraços libidinosos são sempre pecados mortais. Se dados em partes desonestas ou menos honestas do corpo, facilmente podem constituir pecado mortal. O beijo de língua provoca o corpo com desejos que não podem ser moralmente satisfeitos fora do casamento.
Entretanto, algumas pessoas dizem que beijo de língua não é lá esse problema todo, e que não tem muita importância. 

Pergunte a si mesmo o que valem seus beijos. Será que eles são uma maneira de retribuir a um rapaz por uma noite bacana? Será que eles são uma solução para o tédio? Será que eles são um modo de encobrir as dores ou a solidão? E pior, será que eles são apenas por pura “diversão”? Se a resposta para qualquer uma dessas perguntas for um sim, então já esquecemos o propósito de um beijo, e o significado da intimidade.

Não trate partes de sua sexualidade como “sem importância”.Isso tem a ver com a castidade Todo seu corpo é de uma importância infinita, e isso inclui seus beijos. Quando percebemos isso, o mais simples dos beijos passa a ter um valor inestimável, “não tem preço”.


Caso queiram saber mais sobre o beijo sugiro que leiam esse Post do Blog Donzela Cristã.

Se você tem dificuldades nesse assunto, leve isso para a oração. Se você deseja verdadeiramente conhecer a vontade de Deus com relação à pureza, eu sei que Ele vai lhe mostrar. Você tem só que ficar com Ele o tempo suficiente para ouvi-lo. Com certeza, isso é difícil, mas o amor está pronto a sacrificar grandes coisas, bem como as pequenas.


Então nunca nos esqueçamos o que diz São Paulo em 1 Cor 6:19: “Ou não sabeis que o vosso corpo é templo do Espírito Santo, que habita em vós, o qual recebestes de Deus e que, por isso mesmo, já não vos pertenceis”? Somos de Deus e viemos de Deus, e conforme disse Santo Agostinho nossa alma não descansa enquanto não repousar em Deus.



segunda-feira, 23 de abril de 2012

Natureza da vocação sacerdotal


-Pe. David Francisquini


A missão do sacerdote é por natureza vocação de suma importância e valor, porquanto ele é investido dos mesmos poderes de Nosso Senhor Jesus Cristo. “Tu es sacerdos in aeternum secundum ordinem Melchisedech” — Tu és sacerdote para sempre segundo a ordem de Melquisedeque.
Trata-se de uma escolha que Deus faz entre os homens, a fim de que os chamados para o sacerdócio ofereçam dons e sacrifícios pelos pecados do povo e pelos próprios, além de se compadecerem dos que ignoram e erram.
O nascedouro natural da vocação sacerdotal — o sal que salga e a luz que ilumina — encontra-se sempre no seio das famílias verdadeiramente cristãs, dentro do lar imbuído da fé e da mentalidade da Igreja, bem como da pureza de costumes, da piedade e devoção.
De tão sublime, tal chamado de Deus é comparável a uma cidade sobre um monte ou a uma torre inexpugnável, pois um bom padre salva consigo uma multidão, enquanto um mau padre pode levar atrás de si outra multidão.
Na Epístola aos Efésios, São Paulo engrandece o sacramento do matrimônio ao compará-lo com a instituição da Igreja. Ao ressaltar a submissão da Igreja a Cristo, o Apóstolo convida as mulheres a seguirem o exemplo d´Ela quanto à submissão aos seus maridos; e a estes, a amarem suas esposas como Cristo ama sua Igreja. Em suma, fazer do lar o que faz Cristo com a Igreja: digna, pura, resplandecente, sem mancha nem ruga, santa e imaculada.
Toda a grandeza do matrimônio se patenteia nessa consideração do Apóstolo em relação ao amor de Cristo à sua Igreja. E São Paulo ressalta que o relacionamento de Cristo com a maior das instituições é um verdadeiro mistério, pois a própria Igreja Católica Apostólica Romana é de origem divina.
Como sacerdote, tenho certeza de que a aprovação do novo projeto de emenda constitucional sobre o divórcio prejudicará ainda mais as famílias, aumentando as separações conjugais. A nova legislação referenda o amor livre que, na prática, já vigora há tempos.
Como esperar que de tal sociedade surjam vocações sacerdotais e religiosas? Como pretender o aparecimento de santos e heróis? A família monogâmica e indissolúvel, nascida no altar diante do sacerdote com todo requinte e pompa, se reduz a um contrato provisório. E já se propugna a absurda instituição de “família” formada por casais do mesmo sexo!
Através de uma mudança cultural profunda, vai-se assim fazendo o que a União Soviética tentou implantar pela força. Mãos hábeis, cabeças inteligentes e corações empedernidos souberam trabalhar a sociedade para descristianizá-la e levá-la ao torpor, tornando-a indiferente e atéia.
Não é de espantar que, sem nenhuma reação, o Estado vá ocupando cada vez mais o lugar dos pais e das famílias. Afinal, são eles próprios que correm pressurosos a entregar seus filhos nas creches públicas, onde estes são educados desde a mais tenra idade.
Em troca, os pais recebem uma pensão do Estado, a dita “bolsa escola”. A continuar assim, não tardará o dia em que as crianças passarão a dormir nas escolas como internos, e ao serem indagadas sobre quem são os seus pais, respondam: — “Meu pai é o Estado socialista, e minha mãe, a Pátria laica e atéia”.
Nessa perspectiva, o que fazer? “Ad te levavi, oculos meos, qui habitas in coelis”. (Sl 122, 1). Sim! Voltemos nossos olhos para Deus, para a Virgem de Fátima, pedindo perdão e misericórdia; pedindo, sobretudo, a grande vitória prevista por Ela em 1917: “Por fim, meu Imaculado Coração triunfará”.

domingo, 22 de abril de 2012

A finalidade do homem!

"Não penses que vives neste mundo para divertir-te, enriquecer-te, comer, beber e dormir, como os animais irracionais; pois o fim para o qual foste criado é infinitamente mais nobre e mais sublime; ou seja, para amar e servir a Deus nesta vida, e salvar assim a tua alma" (São João Bosco)

Diz São Bernardo que todas as vezes que vencemos as tentações, ganhamos um novo mérito: "Quantas vezes vencemos, tantas vezes somos coroados". Não nos espantemos com o mau pensamento que não sai da nossa cabeça e continua nos atormentar; basta que o detestemos e procuremos afastá-lo.